18 de julho de 2021
É no acordar e sentir o despreparo do corpo em se desvincular do colchão.
É no acordar e sentir o despreparo do corpo em se desvincular do colchão. É no raciocínio logicamente ilógico de quem já despertou mas não quer começar o dia. É na ideia de que algo novo pode estar sendo desperdiçado, de que ainda há tempo de sentir o calor do sol matutino cortar a pele, soltar as enzimas da madrugada medíocre. É na decepção em notar que o relógio ainda não parou. É na autoafirmação que precede o sentar. É no martírio de quem põe os pés no chão sem vontade, e na leviandade do erguer sem ranger muito a cama. É no corpo automático que desce as escadas, tarefa que seria ignorável se o mesmo não estivesse tão pesado agora.
No banheiro escorro baba, remelas e espumas; na cozinha escorro café. Meu relógio interno é calculado pelo quanto eu consigo aturar de mim mesmo ao longo de um bom dia.
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